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Acaique é cineasta, artista visual e roteirista cuja linguagem atravessa experiências pessoais, identidade e pertencimento LGBT. Sua criação parte de fábulas, memórias, traumas e alegrias, com uma estética que cruza referências de universos pitorescos. Desenvolve narrativas autorais que transitam entre audiovisual, escrita, colagem e performance.





A jovem artista maranhense, nascida na cidade de Coroatá, na região dos Cocais, criou seu próprio mundo para, através dele, desbravar, por meio da arte, o território de origem. Como uma cartógrafa de si mesma, ela desenvolveu um olhar apurado para sua obra através de referências que vão da iconoclastia católica a símbolos de cultura pop, passando por trabalhos de artesãs e, também, para dentro de si, via o próprio corpo e sentimentos.
Artista do cinema, em Uma Casinha no Trilho, nos convida a pensar a realidade e a imaginação. Ela se utiliza da memória ferroviária para desconstruir estereótipos e fabular sobre infância, cinema e afetos, por um ponto de vista transgressor.
“Quero que meu projeto seja visto como fruto de uma pesquisa de linguagem que une artes visuais e cinema em busca de imagens que não apenas simbolizam, mas também seduzem pela sua força plástica. Minha criação se apoia em uma esteticidade que não tem medo de ser elegante e rigorosa, mesmo quando nasce do íntimo, da memória e da violência.”
Ao explorar a imagem do trem e das paisagens da Estrada de Ferro Carajás, a obra Uma Casinha no Trilho articula memória e identidade em um processo de cura, transformando a travessia em gesto de autopercepção e reinvenção:

“Eu poderia ver a ferrovia não só como uma obra de engenharia ou um eixo econômico, mas como uma cicatriz e cura no território maranhense, uma linha de ferro que rasga florestas, quilombos, rios e povoados, levando minério para fora enquanto deixa para trás ruídos metálicos, mas, acompanhando os dias de travessia populacional. Ao mesmo tempo, para mim, pode ganhar um viés místico: um trem noturno que corta a mata pode ser imaginado como um dragão de ferro, ou como um pássaro luminoso. A memória de ver o trem me acompanha como uma experiência íntima e feminina da infância: eu, deitada na grama, imaginando as vidas dentro dele e esperando que algo maior viesse até mim.”
Cineasta e Artista Visual