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Fotógrafo, diretor, comunicador popular e engenheiro agrônomo. Nascido em Parauapebas (PA), cresceu na zona rural no assentamento Palmares, onde teve seu primeiro contato com o audiovisual com as organizações sociais do campo. Ícaro cresceu entre o som das locomotivas e o movimento das comunidades rurais que moldaram seu olhar. Lapidado nas práticas coletivas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), ele entende a arte como território de mediação — um campo onde o olhar pode transformar o conflito em escuta, e o gesto em possibilidade de encontro.


Ícaro transforma em imagem a poética que é viver de forma coletiva em uma reflexão (e reflexo) sobre si próprio, mesmo que, muitas vezes, de maneira inconsciente e, muitas outras, de maneira totalmente intencional. No projeto desenvolvido para o MAPA, Ícaro constrói uma obra que atravessa fronteiras entre o campo e a cidade, entre o registro e a invenção.
“Pra mim é muito importante fazer esse resgate de como Parauapebas se ergue, se faz município através de uma grande massa operária que veio também através dos vagões do trem de Carajás, na Estrada de Ferro Carajás. Inclusive, minha família. E, quando se traz pessoas, tu traz um dinamismo cultural que é muito presente no nosso cotidiano, que são os sonhos, os ritmos, a cultura alimenta.”
Em Travessia, Ícaro interpreta a Estrada de Ferro Carajás como fio condutor entre o Maranhão e o Pará. O artista posiciona máquina e humano em um mesmo nível de protagonismo. O trem é retratado por um viés fotográfico clássico que remete aos grandes gênios da fotografia analógica em preto e branco, sugerindo um comentário sobre a infraestrutura de vagões, trilhos e paisagens apresentando-as de maneira cinematográfica por meio da técnica de photomotion.

“Esse trabalho com a imagem, o cuidado com a imagem que é capturada, que é mostrada, eu acho que vem de um pertencimento, de uma pessoa, de uma trajetória que só possibilita trabalhar dessa forma porque teve esses contatos mais humanos — tanto dentro dessa poética que é viver de forma coletiva, quanto na perspectiva da arte também, que eu acho que é o que construiu um pouco do que eu sou hoje.”
Fotógrafo e Diretor