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Juruna é uma artista afro-indígena, não binária e nômade, cuja obra se constrói na intersecção e circularidade entre corpo, território e coletividade. Sua prática performativa surge da necessidade de pensar e reinventar modos de comunicação entre espaços urbanos e rurais, entre grandes infraestruturas e comunidades quilombolas, articulando voguing, gestos cênicos e ritmos que atravessam tradições indígenas, memória afro e cultura queer.
Juruna
No entrelaçamento entre a Estrada de Ferro Carajás, corpos, rios e florestas, Juruna propõe uma poética do atravessamento, onde o gesto performático se inscreve como instrumento de cuidado, resistência e reinvenção. Cada corpo em movimento torna-se território e tela, construindo monumentos efêmeros que transformam o espaço público em lugar de encontro, choque e reflexão.
“Eu sou uma figura que tem uma imagem fotográfica muito boa. Eu não sei me nortear por outras coisas que não sejam memória fotográfica. E, por muito tempo, eu demorei pra entender isso, até no meu meio de arte, e eu sinto que hoje tudo tem atravessamentos. Por exemplo, eu lido com esses elementos orgânicos e eu lido muito com a efemeridade. Por isso, eu sou uma pessoa que trabalha com a arte performa. Eu faço performances que são atividades que têm um tempo curto, que vão existir e morrer num tempo muito efêmero, em que vão ser atravessadas pelas pessoas que ali vão ver.”
Ao apresentar sua arte no MAPA, Juruna projeta uma obra que pensa coletividade, memória e potência criativa. A performance, nesse contexto, não é mero registro, mas invenção de modos de comunicação que desafiam a visibilidade e a historicidade dos corpos periféricos.
Em Todo trajeto, também é um rio, Juruna transforma a ferrovia em monumento por meio de corpos-territórios que atravessam suas paisagens e são por eles ressignificados. Performers afro-indígenas e periféricos emergem em meio a horizontes onde danças, sons e memórias se entrelaçam. A obra relaciona ferro e rio, passado e futuro, propondo uma experiência coletiva que celebra resistência e potência cultural.
“Acho que a minha lupa é para mostrar a subjetividade dos corpos que atravessam esse lugar e esse caminho, que é uma única Estrada que se transforma em várias ao longo do percurso, atravessado por vários e vários corpos. É uma grande rede de pesca, mas que não está pescando: é uma rede em que cada nó é um corpo que atravessa esses lugares.”